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GRAMÁTICA HISTÓRICA - METAPLASMOS
GRAMÁTICA HISTÓRICA - METAPLASMOS

Conceitos de gramática Para conceituar gramática é necessário, primeiramente, entender que não há um único conceito, visto que este é polissêmico. Ele depende da perspectiva analítica adotada para o que está sendo considerado, em uma perspectiva conceitual e depois histórica. Diante disso, segue uma breve abordagem das várias perspectivas do conceito de gramática. De acordo com Silva (2006, p. 02), a gramática, na perspectiva conceitual, em termos específicos, pode ser definida como um sistema geral que organiza a língua, mas também pode ser a ciência que estuda os sistemas dessa mesma língua. Já na perspectiva histórica envolve uma variedade de acepções. A princípio, a gramática confundiu-se com a lógica. Entretanto, desvincula-se desta para definir seu próprio território no campo dos conhecimentos humanos, adquirindo estatuto de ciência autônoma. A partir desse momento, incluem-se em seus domínios os estudos das três vertentes fundamentais da linguística estruturalista: a fonético-fonológica, a morfossintática e a semântica.

Do ponto de vista cronológico, a gramática pode ser diacrônica ou sincrônica conforme o escopo das preocupações linguísticas adotadas para a exposição dos fenômenos da linguagem verbal. É no âmbito da diacronia que se fixa à gramática histórica e a comparativa que se desenvolveram a partir do século XIX. Gramática histórica é definida como sendo a apresentação sistemática da história interna de uma língua, enquanto que a comparativa seria a aplicação sistemática do comparatismo a uma família linguística, restrita ou lata (CAMARA JR., 1984, p. 130). Outro critério a considerar na definição de gramática é o teórico. Esse surge da inserção da gramática nos domínios da sincronia. Assim sendo, pode-se dizer que existem a gramática geral e a gramática específica. O estudo dos princípios linguísticos é feito pela gramática geral, enquanto que a específica trata de um sistema organizado de fatos linguísticos de um determinado idioma, a qual busca expor tudo o que especificamente lhe diz respeito. É dentro dos limites da gramática específica que se pode refinar ainda mais a definição de gramática utilizando um terceiro critério, o metodológico. Segundo tal critério, pode-se depreender mais dois tipos de gramáticas, a descritiva e a normativa. Considerando o breve exposto a respeito do conceito de gramática, situa-se a Gramática Histórica de Ismael de Lima Coutinho no âmbito da diacronia, área em que estão inseridas todas as gramáticas históricas e comparativas. Esses dois conceitos de gramática tiveram maior notoriedade a partir de meados do século XIX com o reconhecimento das teorias positivistas dos neogramáticos. Coutinho (1976, p.13) conceitua gramática histórica “como a ciência que estuda os fatos de uma língua, no seu desenvolvimento sucessivo desde a origem até a época atual”. Para ele o objeto da gramática histórica é mais amplo do que da Gramática Expositiva, Descritiva ou Prática, pois, enquanto esta estuda o estado atual das línguas, aquela, busca no passado às origens. Ela vai ao período de formação para explicar as transformações que essa mesma língua passou em sua evolução através do espaço e do tempo. Essas transformações não são obras do acaso ou resultam de modismo ou caprichos dos falantes, mas obedecem a tendências naturais, a hábitos fonéticos espontâneos. E, a partir da observação da persistência e da regularidade das mudanças que os gramáticos formularam os princípios e leis. Estes, por outro lado, formam o objeto de estudo da gramática histórica.

Ismael de Lima Coutinho (1976, p.13) assegura ainda que, entre a gramática histórica e a gramática descritiva existe uma relação de natureza íntima em que elas complementam uma a outra. O que a gramática descritiva apresenta como exceção ou irregularidade, a gramática histórica explica com base em leis e princípios. É importante ressaltar que a partir de 1930 instaura-se um novo período de estudos da língua portuguesa que leva a novos rumos a produção de gramáticas no cenário brasileiro e se estende até por volta da década de 1960. Esse período é considerado de transição, visto que se caracteriza por uma abordagem histórico-comparativa da fase anterior e por uma futura perspectiva estruturalista. A característica que marca essa fase é o paulatino abandono da teoria positivista que orientou o comparatismo histórico, mas também a assimilação parcial das propostas estruturalistas já pronunciadas nos estudos linguísticos no Brasil a partir da década de 40. Ao verificar a data de publicação da primeira edição de Pontos de Gramática Histórica, atualmente Gramática Histórica, de Coutinho, percebe-se que ela está situada nesse contexto.

Contexto histórico do início do século XX2 Retomar ao início do século XX é repousar o olhar atentamente aos acontecimentos sociais que serviram de referência para as transformações artísticas intituladas “modernistas”. De acordo com Abdala Junior e Campedelli (1986), as primeiras décadas do século XX tiveram as marcas da hegemonia política das elites: a república do “café com leite”, ou seja, a consolidação do Estado mais populoso (Minas Gerais) com o mais rico (São Paulo); ao mesmo tempo em que se exportavam grandes quantidades de café, desenvolvia-se o capitalismo industrial em São Paulo e a elite típica da “belle époque” consumiam importados parisienses, declaravam versos em francês e oferecia festas extravagantes. Esse contexto favoreceu o cultivo da literatura acadêmica. 

Percebe-se então, que o amadurecimento literário adquirido na produção dos autores da década de 30 representa a consciência das rupturas encontradas em Lima Barreto, Euclides da Cunha e Monteiro Lobato. O que fez desse momento algo consciente, com características regionais cada vez mais marcantes como em Graciliano Ramos que já não se preocupava em romper com nada, entretanto, demonstrava sua regularidade num estilo que não podia ser dissociado da vida agreste, dura do sertão. Portanto, relembrar alguns acontecimentos sociais que compreenderam o Brasil de 1900 a 1940 é acima de tudo explicitar o desejo de relacionar partes históricas com o desenvolvimento artístico-literário e observar o renovar da linguagem que ora vem no “falar gostoso do povo”, Manuel Bandeira, ora tecida e reinventada nos livros. É neste contexto que se formou Ismael de Lima Coutinho. Ele fez parte dessa geração conturbada entre as teorias novas e velhas, entre modernismo e tradicionalismo, com um olhar no passado, mas também, não deixando de registrar o presente. Percebem-se no autor estas marcas profundas do conflito entre ser tradicional ou moderno, características de fases de transição. Ao mesmo tempo em que se posiciona adepto das teorias neogramáticas surgidas a partir da segunda metade do século XIX, não deixou de abordar na sua gramática histórica, mesmo de forma sucinta, as teorias estruturalistas que já se entrevia nos estudos linguísticos no Brasil.

Os neogramáticos A segunda metade do século XIX ficou conhecida, no âmbito da linguística, como a época dos neogramáticos, um grupo de linguistas da Universidade de Leipzig que tentaram introduzir na Linguística Histórica princípios positivistas que vigoravam na época nas ciências e na filosofia. Os nomes mais representativos são os de Brugmann, Leskien e Osthoff. No início eram chamados dessa forma por escárnio, porém, com o passar do tempo “os neogramáticos ganharam espaço no universo acadêmico da época propugnando um programa que afrontava ostensivamente as orientações comparativistas vigentes (ILARI, 2006, p.19)”. É de costume apontar o ano de 1878 como a data inicial do movimento neogramático.

Apontamento referente às Leis Fonéticas são princípios que governam as evoluções dos vocábulos. Elas diferem das leis naturais, visto que estas são universais e eternas, enquanto aquelas são condicionadas ao tempo e ao espaço. No entanto, faz uma ressalva, em nota de rodapé, que a existência das leis fonéticas é contestada pelos linguistas modernos. Ao ponderar a respeito das modificações das palavras, o autor observa que os fonemas se alteram do mesmo modo sempre que se encontra em ambiente e circunstância semelhantes. Desse contexto resulta o caráter de constância e inflexibilidade das leis fonéticas. Os antigos gramáticos não compartilhavam dessa opinião. Para eles, as leis fonéticas não passavam de tendências mais ou menos pronunciadas, pelas quais se podiam explicar alguns fatos, mas não todos. Os fatos linguísticos que não podiam ser explicados eram considerados exceções. Aos neogramáticos, competiu a tarefa de sustentar o conceito de que as leis fonéticas são princípios absolutos, cujo rigor científico pode ser facilmente observado. Para os neogramáticos, exceções, no verdadeiro uso termo, não existiam. Os casos de mudanças em desacordo com as leis fonéticas teriam duas explicações: ou foram submetidos à ação de uma lei ainda não conhecida, ou poderia ser em consequência da ação da analogia. Em outras palavras, as razões das discordâncias de alguns exemplos são em decorrência do instinto imitativo do homem, que faz desviar alguns vocábulos do seu ciclo natural de evolução por analogia a outros. Acresce que as modificações das palavras provêm dos meios precários que os indivíduos são levados a conhecer o idioma. Ou seja, a imperfeição das imagens auditivas e a incapacidade de reproduzir fielmente os sons ouvidos provocam mudanças nas palavras. Sendo assim, a linguagem não deve ser representada por uma reta em que o ouvinte e o falante ficam nas suas extremidades. O que se percebe é uma completa descontinuidade nessa transmissão. Em razão disso, a cada geração, as mesmas tentativas são feitas para se apoderar da linguagem. Embora considere que é exagerar a atuação da criança sobre a língua quando atribui exclusivamente a elas as transformações fonéticas, o autor concorda que grande parte dessas alterações é devido à ação infantil.

As transformações fonéticas exibem três características básicas: Elas são inconscientes, graduais e constantes. São inconscientes porque as transformações observadas nos vocábulos de uma língua são alheias à vontade do povo. As pessoas falam conforme a tendência da época em que vivem. No curso da história de uma língua, estas tendências variam, e isso pode explicar a diversidade de tratamento às vezes dado a um vocábulo. Graduais, porque as evoluções se processam segundo a lei natural. Na maioria das vezes, quando se compara formas latinas com as atuais da língua portuguesas, frequentemente, desenvolve uma ideia errônea da evolução dos vocábulos. Isso ocorre, porque, nem sempre se estabelece todos os elos da cadeia evolutiva, com a citação das formas intermediárias, para que se veja como se processou essa evolução. Finalmente, são constantes, porque sempre que um fonema estiver em determinada circunstância, ele deve modificar-se da mesma maneira. São três as leis fonéticas que regeram a evolução das palavras portuguesas: (i) lei do menor esforço; (ii) lei da permanência da consoante inicial; (iii) lei da permanência da sílaba tônica. A lei do menor esforço, ou da economia fisiológica é uma lei universal, está em todos os ramos da atividade humana. Ela consiste em simplificar os processos empregados pelo homem na realização de sua obra. Como lei fonética, aplica-se no sentido de tornar mais fácil aos órgãos fonadores à articulação dos fonemas. 

O princípio de transição em que as consoantes intervocálicas latinas surdas sonorizam-se em português, nas suas homorgânicas, e as sonoras geralmente caem, fundamenta-se nela. Quanto à lei da permanência da consoante inicial, as evoluções das consoantes, na passagem do latim para o português, dependiam da posição em se que ocupava na palavra. As consoantes iniciais passam para o português sem se alterar, na maioria dos casos. Enquanto as mediais e finais estão sujeitas a modificações e quedas constantes. Isso ocorre devido o acento de intensidade do latim deixar em evidência a sílaba inicial da palavra. Pode também ter explicação na atenção que a sílaba inicial desperta, muitas vezes, determinando o sentido antes mesmo de ser a palavra totalmente transmitida. No que se refere à lei da persistência da tônica, o que se pode observar nas palavras portuguesas é a permanência da acentuação tônica do latim. O acento tônico, ao ser preservado, guardou a essência da palavra que ficou ameaçada pelas transformações e quedas dos fonemas.

Apontamento referente aos Metaplasmos, os metaplasmos como sendo as modificações fonéticas que os vocábulos sofreram ao longo da sua evolução. Essas modificações podem ser de quatro espécies. Elas podem ser motivadas pela troca, pelo acréscimo, pela supressão de fonema e ainda pela transposição de fonema ou acentuação. Assim sendo, dividem-se os metaplasmos em, a) metaplasmo por permuta; b) metaplasmo por aumento; c) metaplasmo por subtração; d) metaplasmo por transposição. A substituição ou a troca de um fonema por outro, forma os metaplasmos por permuta. O quadro a seguir relaciona e define os processos que se inserem nessa categoria.

Relação, definição e exemplos de metaplasmos por permuta Metaplasmos por permuta Definição Exemplos:

Sonorização:

Um fonema surdo muda-se para um sonoro
em sua homorgânica.
acutu > agudo, profectu >
proveito

Vocalização:

Transformação de um fonema consonantal em
vocálico.
factu > feito, absentia >
ausência

Consonantização:

Contrário da vocalização, ou seja,
transformação de um fonema vocálico em um
consonantal.
ieiunu > jejum, uagare >
vulgar.

Assimilação:

Aproximação ou perfeita identidade de dois
fonemas, resultado da influência que um
exerce sobre o outro.
persona > pessõa (arc.) >
pessoa, persicu > pessicu>
pêssego

Dissimilação:

Por existir um fonema igual ou semelhante no
vocábulo, dá se uma diversificação ou queda
de um fonema.
calamellu > caramelo, aratru >
arado.

Nasalação ou nasalização:

Transformação de um fonema oral em fonema
nasal
mac(u)la > mancha, mi (arc.)
(< mi por mihi) > mim.

Desnasalação ou desnasalização:

Contrário do que ocorre na nasalização, o
fonema que antes era nasal perde a nasalidade
e torna-se oral.
lũa (arc.) (< luna) > lua, boa
(arc.) (< bona) > boa.

Apofonia ou deflexão:

Modificação que ocorre quando uma vogal da
sílaba inicial se junta a um prefixo.
per + făctu > perfectu >
perfeito.

Metafonia:

Resultado da influência que uma vogal ou
semivogal exerce sobre outra anterior,
modificando assim o som ou o timbre da
primeira.
fecī > fiz, debita> dívida.

Relação, definição e exemplos de metaplasmos por aumento. Metaplasmo por aumento. Definição Exemplos:

Prótese ou próstese:

Acréscimo de um fonema no início do
vocábulo.
stare > estar, scutu > escudo

Epêntese:

Acréscimo de um fonema no interior do
vocábulo.
area (< arena) > areia, stella >
estrela

Anaptixe ou suarabácti:

Um tipo de epêntese especial, que consiste em
desfazer um grupo consonantal pelo acréscimo
de um fonema vocálico.
*fevrairo (< febrariu por
februariu) > fevereiro

Paragoge ou epítese:

Acréscimo de fonema no final do vocábulo ante > antes, bem como algures,
alhures, entonces (arc.)

Definição e exemplos de metaplasmos por substituição. Metaplasmos por substituição Definição Exemplos:

Aférese:

Perda de um fonema no início do vocábulo. inodio > nojo, inamorate >
namorar.

Síncope:

Queda de um fonema no meio de um
vocábulo.
manica > manga, malu > mau

Haplologia:

Um tipo de síncope especial que consiste na
queda de uma sílaba medial por haver outra
idêntica ou quase idêntica no mesmo
vocábulo. idololatria > idolatria, *vendeda (< vendita) > venda

Apócope:

Queda do fonema no fim dos vocábulos. amare > amar

Crase:

Processo de fusão de dois fonemas vocálicos
contíguos.
door (arc.) (< dolore) > dor,
seer (arc.) (< sedere) > ser

Sinalefa ou elisão:

Queda de um fonema vocálico no final de uma
palavra, quando outra começar também com
vogal. De + intro > dentro.

Metaplasmos por transposição:

São os que consistem na deslocação de fonema ou de acento tônico da palavra. A transposição de um fonema é chamada de metátese e pode acontecer na mesma sílaba ou entre sílabas: semper > sempre, inter > *intre (> entre). A transposição do acento tônico tem o nome especial de hiperbibasmo. Nesta, estão incluídas a sístole e a diástole. Na primeira, ocorre a deslocação do acento tônico para a sílaba anterior como em benção (< benedictione) > bênção; enquanto na segunda, ocorre a deslocação do acento tônico para uma sílaba posterior: gémitu > gemido, júdice > juiz.



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